quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Beijo gay na TV: análise tardia, mas ainda válida.

Demorei um pouco para escrever algo, mas tantas coisas aconteceram na última semana (Beijo gay, assassinato de Eduardo Coutinho, menino amarrado em poste, médica cubana abandonando "Mais Médicos", etc.), que foi preciso parar para analisar os fatos antes de comentar sobre qualquer coisa.

O assunto aqui hoje é o beijo entre os personagens Niko e Félix, na novela Amor à Vida, que gerou mais repercussão que a morte do Mandela (pelo menos no Brasil, pelo menos na minha opinião). Sei que os assuntos têm uma efemeridade e logo se tornam passado. Mas só depois de ler rios de opiniões sobre o assunto é que me senti à vontade para escrever sobre.

Beijo foi exibido às 23h08 do dia 31 de janeiro de 2014

A primeira questão se deve ao fato da Rede Globo ter quebrado um tabu, que era dela. O beijo só se concretizou a partir do momento que os próprios telespectadores pediram. Boa parte da população queria e torcia para que isso acontecesse. A emissora não é boba e imaginou a audiência e a repercussão que esse possível primeiro beijo gay da TV aberta poderia causar. Assim o fez e "pimba", o resultado foi melhor do que se esperava.

Há quem diga que o primeiro beijo gay em novela na TV aberta ocorreu na TV Tupi, em 1964. Eu também me lembro dos anos 2005 à 2007, quando era exibido na MTV (que na TV aberta funcionava no canal 29), o programa "Beija Sapo", apresentado pela Daniella Cicarelli, e que com frequência formava casais gays. Os beijos aconteciam (e não eram apenas selinhos) e eram de verdade, não ficção. Mas a questão aqui não é discutir quem foi o primeiro. 

Fora essa discussão, há um fator social muito grande encrustado na questão desse beijo em específico. Os gays são marginalizados pela sociedade protetora da família brasileira e "coxinha" que critica tudo que não é espelho. Pessoas gostarem de pessoas do mesmo sexo é normal há muito tempo, mas a TV, em geral, a toda poderosa Globo, é que ainda não tinha mostrado. Visto que a Globo atinge um grande número de espectadores, e isso não podemos negar, o tal beijo funcionou como um grande passo para esse grupo que se sente excluído. Eles comemoraram, choraram e "se viram" na TV. 

Em outros países, beijos gays são até normais, e, com esse primeiro tabu quebrado, o que se espera é que aqui se torne normal também. A esperança dos homossexuais é que um dia eles deixem de ser tratados como diferentes.

Aos que criticaram a atitude da emissora, gostei da palavra do Pastor Marco Feliciano, que criticou (como poderíamos prever) mas disse que não se preocupou muito pois, para ele, o mais importante são as crianças e no horário da novela elas estariam dormindo. Isso responde algumas pessoas que perguntaram "Como vou explicar isso para o meu filho?". É muito simples: 23h é horário de criança estar na cama, a explicação sobre a existência amor entre pessoas do mesmo sexo deve existir muito antes disso passar na TV, afinal, basta sair na rua que elas estarão lá e, por fim, quem seleciona o que assistir é o telespectador, se não queria ver, que não ligasse a TV.

Um brinde à liberdade! Foi só mais um degrau que sociedade subiu, ainda falta muito!

Sobre o assunto tratado aqui, sugiro que leiam:

Foi na longínqua década de 60 o primeiro beijo gay na TV, por Kika Castro:
http://www.otempo.com.br/blogs/blog-da-kikacastro-19.180341/foi-na-long%C3%ADnqua-d%C3%A9cada-de-60-o-primeiro-beijo-gay-na-tv-19.224720

O Brasil depois daquele beijo, por Juan Arias:
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/02/opinion/1391359197_321583.html





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