O assunto aqui hoje é o beijo entre os personagens Niko e Félix, na novela Amor à Vida, que gerou mais repercussão que a morte do Mandela (pelo menos no Brasil, pelo menos na minha opinião). Sei que os assuntos têm uma efemeridade e logo se tornam passado. Mas só depois de ler rios de opiniões sobre o assunto é que me senti à vontade para escrever sobre.
Beijo foi exibido às 23h08 do dia 31 de janeiro de 2014
A primeira questão se deve ao fato da Rede Globo ter quebrado um tabu, que era dela. O beijo só se concretizou a partir do momento que os próprios telespectadores pediram. Boa parte da população queria e torcia para que isso acontecesse. A emissora não é boba e imaginou a audiência e a repercussão que esse possível primeiro beijo gay da TV aberta poderia causar. Assim o fez e "pimba", o resultado foi melhor do que se esperava.
Há quem diga que o primeiro beijo gay em novela na TV aberta ocorreu na TV Tupi, em 1964. Eu também me lembro dos anos 2005 à 2007, quando era exibido na MTV (que na TV aberta funcionava no canal 29), o programa "Beija Sapo", apresentado pela Daniella Cicarelli, e que com frequência formava casais gays. Os beijos aconteciam (e não eram apenas selinhos) e eram de verdade, não ficção. Mas a questão aqui não é discutir quem foi o primeiro.
Fora essa discussão, há um fator social muito grande encrustado na questão desse beijo em específico. Os gays são marginalizados pela sociedade protetora da família brasileira e "coxinha" que critica tudo que não é espelho. Pessoas gostarem de pessoas do mesmo sexo é normal há muito tempo, mas a TV, em geral, a toda poderosa Globo, é que ainda não tinha mostrado. Visto que a Globo atinge um grande número de espectadores, e isso não podemos negar, o tal beijo funcionou como um grande passo para esse grupo que se sente excluído. Eles comemoraram, choraram e "se viram" na TV.
Em outros países, beijos gays são até normais, e, com esse primeiro tabu quebrado, o que se espera é que aqui se torne normal também. A esperança dos homossexuais é que um dia eles deixem de ser tratados como diferentes.
Aos que criticaram a atitude da emissora, gostei da palavra do Pastor Marco Feliciano, que criticou (como poderíamos prever) mas disse que não se preocupou muito pois, para ele, o mais importante são as crianças e no horário da novela elas estariam dormindo. Isso responde algumas pessoas que perguntaram "Como vou explicar isso para o meu filho?". É muito simples: 23h é horário de criança estar na cama, a explicação sobre a existência amor entre pessoas do mesmo sexo deve existir muito antes disso passar na TV, afinal, basta sair na rua que elas estarão lá e, por fim, quem seleciona o que assistir é o telespectador, se não queria ver, que não ligasse a TV.
Um brinde à liberdade! Foi só mais um degrau que sociedade subiu, ainda falta muito!
Sobre o assunto tratado aqui, sugiro que leiam:
Foi na longínqua década de 60 o primeiro beijo gay na TV, por Kika Castro:
http://www.otempo.com.br/blogs/blog-da-kikacastro-19.180341/foi-na-long%C3%ADnqua-d%C3%A9cada-de-60-o-primeiro-beijo-gay-na-tv-19.224720
O Brasil depois daquele beijo, por Juan Arias:
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/02/opinion/1391359197_321583.html

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