quarta-feira, 22 de junho de 2016

Amamentar é legal em qualquer lugar!

Olá! Estou de volta para tratar de um assunto muito importante e que anda quicando em nossa timeline todos os dias: a amamentação em locais públicos.

A primeira cena é a seguinte: uma mulher, sentada na mesa da praça de alimentação de um shopping, resolve dar de mamar ao seu filho enquanto ela também pode se alimentar. Pessoas passam, algumas olham, outras evitam olhar e algumas nem ligam. Ela não colocou uma fralda na cara do filho e, por isso, é possível ver uma parte de seus seios. Um HOMEM, sentindo-se incomodado com a situação resolve ofender a mulher. Chamando-a inclusive de vagabunda. O caso foi filmado, o homem foi convidado a se retirar do local e a mulher continuou a exercer o direito de alimentar o filho.


Agora imagine um casal e filhos gêmeos no espaço família de um shopping. Um deles está com mãe que troca sua fralda e o outro, que chora muito, está no colo do pai. MULHERES sentiram-se incomodadas com o fato de ter um homem no ESPAÇO FAMÍLIA, mesmo ambiente em que amamentavam seus filhos. Ele foi convidado a se retirar.


A discussão sobre a amamentação está cada vez mais presente e relatos como os que acabei de citar também estão mais comuns. Parece que alguém parou e disse: "Por que eu tenho que me submeter ao que a sociedade impõe?". Afinal, até pouco tempo, não era questionado, ou os questionamentos não tinham o espaço da internet para aparecerem, ou mesmo o pensamento das próprias mães que se envergonhavam de amamentar na frente dos outros (com o conservadorismo tão intrínseco que nem se atentaram a isso) não questionavam se aquilo era ruim para o bebê. 


Imagine que essa sociedade que condena a MÃE que amamenta o filho é a mesma que aceita mulheres semi-nuas no carnaval, na praia, no clube... e acha bonito!


O que não faltam são conselhos, ou melhor, pitaco na vida alheia: "A mulher deve ser recatada", "Deve se preservar", "Existem tarados por ai, é melhor guardar seus seios", "Coloca uma fralda pra tampar", "Isso é feio"... Frases vindas tanto de homens quanto de mulheres.


Eu fiz um teste, simulei como seria beber uma água com um lenço na cabeça. E não, não foi legal! A não ser que estivesse muito frio ou o sol batendo em minha cara.




Ahhh! "Então leve seu filho para o banheiro para amamentá-lo".

Bom, este post resume bem o que todas as mães sensatas gostariam de falar.



Dados


De acordo com a Unicef, o aleitamento materno é aconselhado até os seis meses de vida do bebê, sozinho, sem combinar com outros alimentos e a criança que mama direto do peito (antes que venham questionar sobre tirar o leite e colocar numa mamadeira) cria um vínculo com a mãe.


O ato é lindo e deveria ser tratado com tal.


Quantas pessoas você conhece que não têm leite porque secou com pouco tempo e tiveram que parar de dar os seios aos filhos? E ainda, comprar aqueles NAN e Aptamil caríssimos? Caramba! Se a mulher pode amamentar, deixe-a em paz. Criança que mama no peito cresce saudável!


Aprenda: os seios não são nada eróticos quando se trata de natureza divina. O ato de amamentar é lindo, é glorioso e, se a mãe tem leite, deve dá-lo ao filho sim! Onde ELA quiser!


Leia mais sobre amamentação em:


http://www.unicef.org/brazil/pt/activities_10007.htm




terça-feira, 19 de abril de 2016

Entre uma dengue e outra, a UPA sobrevive ao caos.

Você tem noção das consequências da epidemia de dengue?

Deixei de publicar no blog semana passada porque meu pai e minha mãe ficaram com dengue. E eu? Peguei uma infecção alimentícia após comer um salgado mal-feito na lanchonete em frente ao hospital.

Mas enfim...

Por causa da epidemia de dengue, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul, daqui de Belo Horizonte, estava lotada! Mas lotada na sala de espera, lá dentro, tal como coração de mãe, cabia tratamento para todo mundo. A maioria dos casos eram suspeitas de dengue. O bendito Aedes Aegypti está sobrecarregando os hospitais.


Um enfermeiro me pediu desculpas enquanto eu acompanhava minha mãe: "Hoje é um dia atípico".

Fiquei com ela cerca de 30 horas dentro da UPA.

Lá fora, pessoas com pulseiras verdes (triagem feita com o tal do protocolo de Manchester) esperavam cerca de 6 horas para serem atendidas. Pulseiras amarelas, pouco mais graves que as verdes, esperavam ainda 4 horas, assim como minha mãe, com 68 anos e febre de 38, esperou. Ainda há pulseiras laranjas e vermelhas, casos em que pessoas quase morrendo são atendidas.

Em um dia normal, sem surto de dengue, a mesma UPA fica cheia mesmo, mas o tempo de espera e o cansaço da equipe é bem menor.

Fica claro na expressão dos enfermeiros, médicos e demais profissionais que estão sobrecarregados. E ainda são obrigados a trabalhar com falta de infraestrutura. São obrigados a ouvir xingamentos de quem já não aguenta esperar.

Entre um caso de dengue aqui e outro ali...

Um senhor (com dengue) precisou ser amarrado, confuso da cabeça, achando que estava sendo mal-tratado.

Uma paciente chegou pelo SAMU, com falta de ar e precisou ser ligada ao oxigênio. Poucos leitos têm a entrada de oxigênio e outros pacientes precisam também. Poucos leitos ficam perto de tomadas e alguns pacientes precisam de um aparelho para medir batimentos cardíacos. Resultado: dança das cadeiras, ou macas, para arrumar um lugar para a nova paciente.

Uma outra paciente, já internada, teve um ataque epilético e precisou ser socorrida imediatamente.

Os três casos precisaram de atenção de todos os técnicos de enfermagem em plantão. Paralisando o atendimento lá fora.

Uma moça com dengue que estava com plaquetas muito baixas e internada há três dias, precisou ser transferida para o único hospital que havia vaga, do outro lado da cidade, na região do Barreiro, afinal, casos de dengue estão lotando os hospitais e pacientes com plaquetas muito baixas precisam ficar em observação.

Durante a madrugada, não existe sono. Pacientes não param de chegar.

Pela manhã, procurei atendimento devido ao mal-estar que senti. O médico que me atendeu me confidenciou que estava cumprindo aviso prévio. Médicos foram demitidos e há mais de um ano não acontecem mais contratações. Naquele dia, um profissional também havia faltado por motivo de doença (seria dengue?).

Junta-se dengue e crise econômica, tem-se caos na saúde e profissionais rebolando para dar conta de tantos atendimentos.

 Fiquei no soro, tive alta após medicação.

Em contrapartida ao tempo de espera em cadeiras de plástico, pelo menos temos o zelo dos profissionais, resolução (ou tentativa de resolver) todos os seus problemas (Faz-se eletrocardiograma, hemograma, ultrassom, raio-x, entre tantas outras formas de diagnosticar algo), atenção, lanche para os enfermos, banho e roupas (provenientes de doações talvez) para quem quiser trocar após se banhar.

Depois de tomar 11 frascos de soro na veia, controlar sua pressão alta, sua glicose, receber um pedido de ultrassonografia abdominal total, todas as orientações possíveis e já com o rosto rosado, minha mãe teve alta.

Saí da UPA com sensação de que precisamos de mais atenção à saúde, contratação de profissionais e preocupação do poder público com o cidadão. Mas muito além disso: PRECISAMOS QUE CADA UM FAÇA SUA PARTE NO QUE SE REFERE AO MOSQUITO AEDES AEGYPTI.

Pense: o SUS, que já anda capengando, não vai aguentar tantos casos de dengue (e agora o tal de Zika e Chikungunya).

Posso ser redundante?

Não custa nada cuidar da higiene da sua casa, olhar os vasos de plantas, as caixas d'água ou qualquer coisa que estiver ao ar livre sujeito a acúmulo de água. Gente! Até tampinha de garrafa para cima pode ser berçário de larvinhas de dengue.

Cuide-se.

Dengue não é legal. É uma semana sem estudar, sem trabalhar, sem ir à festas, sem sair de casa, tomando aquele soro horrível, ficando sem fome, se coçando de tanta mancha vermelha, com febre, dor no corpo, tomando paracetamol até dizer chega... Você não vai querer!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Aprenda a conviver com as diferenças

SER DIFERENTE É NORMAL. Já ouviu essa frase? Faz sentido para você?

Um dos nossos maiores desafios, que percorre séculos de nossa existência, é conviver com as diferenças. A classes sociais e etnias são diferenças que exigem amplas discussões, mas podemos discutir em outros tópicos. Desde os tempos mais remotos, o ser humano despreza todos aqueles que sofrem de algum mal. Estou falando de diferenças relacionadas às doenças.

A exemplo disso, podemos falar sobre a hanseníase, ou lepra, que é muito citada nos livros bíblicos. Uma doença degenerativa, causada por bactéria, que acomete as pessoas e se alastra pelo corpo à medida que avança. Lembra-se do que ocorria com os leprosos? Viviam à margem da sociedade, eram mal-tratados, as pessoas tinham nojo de chegar perto, ficavam na miséria e morriam em pouco tempo por falta de tratamento. Reflexo da falta de informação. Hoje sabemos que existe a cura e as pessoas já não sofrem tanto assim, o tratamento pode ser realizado pelo SUS a base de antibióticos.

Evoluímos bastante, mas não o suficiente. As doenças ainda são mal-interpretadas, várias delas. Conviver com as diferenças vai muito além de apenas saber que elas existem. Exige empenho!

Vamos às situações: 

Você está no ônibus e, quando ele para no ponto, entra uma mãe/pai com um(a) filha/filho, criança, aparentando ter síndrome de down. Eles se sentam nos bancos à sua frente e a criança fica olhando para você. O que você faz?
A) Brinca com ela, sorri, manda beijos, pergunta o nome. 
B) Finge que não vê, pois não sabe se o responsável vai estar aberto para o diálogo.
C) Fica com medo pois não confia em deficientes mentais.
D) Puxa assunto com a mãe perguntando sobre a doença da criança.

Reprodução Google Images

Se você respondeu letra "A", pode se considerar uma pessoa tolerante às diferenças. Brincaria com qualquer criança.

Se você cogitou qualquer uma das outras alternativas (seja sincero consigo mesmo), é hora de parar e pensar. Muitas vezes as mães de filhos deficientes podem ser super protetoras e realmente não darem abertura para os filhos interagirem com outras pessoas. Para mim, um erro. Uma das coisas que torna uma pessoa incapaz é a criação: se você tem um filho deficiente, deve apoiá-lo e dar forças para que ele consiga utilizar os outros sentidos e se sentir independente (dentro de suas limitações, claro). "Coitadinho" jamais! (pessoas criadas como coitadas tendem a crescer dependentes e se isolarem do mundo).

Ter medo de pessoas com deficiência mental é um absurdo, mas acontece. Você deve procurar conhecer as doenças, ou ser tolerante mesmo, só assim vai saber como lidar. Saiba que a pessoa com síndrome de down tem mais em comum do que diferente com o restante da população. Na dúvida, dê um sorriso. Você será surpreendido.

Se você puxar assunto com quem está acompanhando a pessoa com a doença, fale sobre como o dia está quente, como o motorista está correndo, a passagem está cara... jamais comece uma conversa falando sobre a diferença da pessoa. Isso vale para todos. Pense: os pais da criança com down já devem estar bem cansados de falar sobre a doença do filho. Ela é motivo de assunto em rodas de família, festas, no hospital, na escola... os pais ficam saturados com o assunto. Apenas pergunte algo (afinal, somos sempre curiosos) se a pessoa der abertura.

Recentemente, uma mulher que teve câncer de mama me contou que se sente bastante incomodada quando lhe perguntam sobre sua falta de cabelos: "Você tem câncer?", "Onde que é seu câncer?", "Quimioterapia dói muito", "Você vai tirar os seios?". São perguntas que chegam a ser inconvenientes. Lembre-se: a pessoa que tem uma doença já está de "saco cheio" de falar sobre ela. Ela que comentar futebol, novela, política, comida, qualquer coisa que lhe faça esquecer por algum momento sobre sua condição de saúde.

Outra situação acontece com deficientes visuais. Um fato muito comentado pelo humorista Geraldo Magela é quando se chega em um restaurante, por exemplo, e perguntam "o que ele vai querer". Magela geralmente responde: "Pode perguntar pra mim, sou cego, não sou surdo". Magela, conhecido como O Ceguinho, também sugere outras dicas como: "pode falar a palavra 'cego', não tem problema, é o que sou". Apenas dê o braço, ao invés de puxar o cego para ajudá-lo a chegar em algum lugar. Toque nele para que saiba onde você está. Converse com ele normalmente, cegos geralmente ampliam os outros sentidos e percebem tudo à sua volta. E, entre outros aspectos, novamente não fale com ele apenas sobre sua doença.

Para refletir: pense em uma coisa em você que lhe incomode muito (barriga, orelha, nariz, perna, cabelos, dentes). Agora imagine que toda vez que alguém vá puxar assunto com você fale somente sobre isso. Eu, por exemplo, sou muito magra e me sinto muito incomodada quando o assunto é sempre minha magreza. Entendeu?

Para finalizar, lembre-se sempre que não somos todos iguais, somos diferentes! Apenas devemos respeito e tolerância. 

Sobre as doenças que citei:

Saiba mais sobre a hanseníase no site da Sociedade Brasileira de Dermatologia: http://www.sbd.org.br/doencas/hanseniase/

Entenda o câncer acessando o site do INCA: http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=322

Conheça mais sobre a Síndrome de Down em: http://www.movimentodown.org.br/sindrome-de-down/o-que-e/


Não citei, mas acho importante ler sobre o autismo também. Acesse: http://autismoerealidade.org/informe-se/sobre-o-autismo/o-que-e-autismo/

segunda-feira, 28 de março de 2016

Depressão NÃO é besteira!

Queridos, hoje eu iria falar sobre o convívio com as diferenças e o eterno aprendizado que devemos ter. Porém, um outro fato chamou a atenção e suscitou o debate em grupos que participo e entre vários amigos: hoje, um colega jornalista cometeu suicídio (fato que chegou a ser noticiado, atitude questionável inclusive) e o que nos alertou foi a motivação para tal: a depressão.

Se você pensa que a pessoa tem depressão porque quer. Ou acredita que só entra em depressão quem "não tem Deus". Ou a pessoa diz que tem depressão porque queria muito algo e foi frustrado. Ou simplesmente pensa que é frescura. ESSE POST É PRA VOCÊ! Não exclusivamente, mas principalmente.

A depressão, ou transtorno depressivo, é uma doença diretamente ligada ao estado emocional. No sentido patológico, se caracteriza pela presença da tristeza, baixa autoestima, pessimismo, falta de força de vontade, entre outros sintomas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou em 2014 que cerca de 7% da população mundial tem, ou teve, depressão em algum momento da vida. Em números, são mais de 400 milhões de pessoas portando uma das doenças mais incapacitantes de todos os tempos.

Quem passa por uma depressão, desde a mais branda até a mais profunda, perde muitos momentos na vida e, segundo a OMS, as pessoas depressivas chegam a faltar oito dias ao trabalho no período de um mês. Além de se afastar da família e amigos. Estamos falando de churrascos em que se deixa de ir por falta de vontade. Festas de aniversário em que não se vê graça. Comemorações que, na cabeça do depressivo, são inúteis.

Para entender melhor: a pessoa depressiva é aquela que usa de humor negro para falar de si, está insatisfeita com a vida, sente-se irritada, tem um cansaço agudo (aquele que você pergunta "cansada de quê?"), pode perder o apetite e o peso, chorar muito ou simplesmente não esboçar sentimentos.

São muitas características e tudo que você precisa é compreender aquela pessoa. Para ajudar um parente ou amigo em depressão (diagnosticada pelo médico, ou não, já que muitas pessoas se recusam a ir ao psiquiatra) basta seguir alguns passos:


  • Jamais tente encontrar motivos para o início da depressão daquela pessoa. (Motivos são vários: separação, morte, desemprego, ou algo do nada mesmo! Não vale a pena desenterrar os motivos pelos quais a pessoa já sofreu muito)
  • Nunca diga que é frescura. (Depressão é uma doença séria e perigosa)
  • Em hipótese alguma deboche de um amigo em estado depressivo. (Pense bem: a pessoa já está mal, seu comentário pode fazê-lo se sentir mais rebaixado)
  • Tente se aproximar da pessoa, mesmo que a tarefa seja difícil. (A pessoa com depressão pode estar chata, não ver graça nas suas histórias, não compartilhar das mesmas ideias, estar com uma áurea acinzentada, mas ainda assim, a pior opção é ficar sozinha e desamparada).
  • Em casos mais graves, procure ajuda médica e psicológica, mesmo que seja "na marra"! (Muitas vezes a pessoa não admite que está passando por um mau momento. Você pode ser o ombro amigo que, com jeitinho, vai mostrar que ela precisa de ajuda).
  • Não brigue, não julgue e não ignore a pessoa depressiva. (Isso só faz com que ela se sinta cada vez mais desamparada).
  • Corra enquanto a tem por perto, pensar na pessoa depois de perdê-la, só aumentará seu remorso.


E lembre-se, até mesmo o Padre Marcelo Rossi, um religioso, que poderíamos imaginar ser uma pessoa livre desse mal, passou por uma depressão profunda. Desmistificando a própria teoria de "quem tem depressão é porque não tem fé ou não tem Deus".

Todos podemos ser acometidos pela depressão, basta saber identificá-la, não subjugar e tratar da forma correta. O suicídio é o ápice da doença, é quando todas as alternativas se esgotaram, quando todo o sofrimento não é mais suportado, e é triste demais saber que alguém chegou nesse estágio. 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Sua consciência política depende de você

Não costumo falar de política nem defender lados aqui no blog, mas hoje merecemos uma reflexão. Muita coisa aconteceu e sua timeline deve estar cheia de discussões (e brigas inclusive) relacionadas à esquerda e à direita. E você sempre é chamado a assumir um lado. Mas já adianto, não se preocupe se não se vê representado em um discurso ou outro. Isso pode indicar que você tem opinião e não quer fazer parte de um rebanho de ovelhas que seguem cegamente seu pastor.

São muitas decepções vividas por nós diariamente. Muitos de nossos governantes se mostram corrompidos pelo poder e vemos nossos políticos, que elegemos com toda a nossa confiança, nos dar um tiro nas costas e mostrar que não eram tão honestos assim.

O nosso problema atual é que o cenário político mostra uma polarização: ou você é de esquerda ou direita. Ou vc é PT ou PSDB. Como se não existissem variáveis. Nos vemos encurralados e pressionados a tomar um lado. Não digo para se abster de opinião, mas também não tome decisões precipitadas!

Você pode ter ideais que indicam que você é de esquerda, mas você pode claramente estar decepcionado com o PT e querer tirá-lo do poder. Talvez tudo indica que você pode ser de direita, e simplesmente não simpatizar com o Aécio, por exemplo. Ser contra um não significa imediatamente que é favor de outro. Somos plurais e temos opiniões diversas, e algumas ainda não formadas.

A sugestão para encarar o momento que estamos passando é estudar todos os acontecimentos. Sem se basear apenas em um ponto de vista, como o de uma revista ou emissora. Mas ler vários jornais, conversar com pessoas da área política. Não digo isso porque sou jornalista, mas digo porque nós temos preguiça de pesquisar, preguiça de ler. Aceitamos com muita facilidade as informações que chegam de bandeja, sem verificar a fonte. Para ilustrar, ontem (15/03) foi publicada a informação de que o Tiririca havia sido citado por Delcídio em seu depoimento, e dizia que ele se recusou a receber propina para atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato. Não duvido que ele possa ser um cara honesto, mas quem pesquisou melhor descobriu que tratava-se de uma mentira.

Então, sempre procure se certificar se aquela informação é verdadeira. Leia mais, pesquise seus livros antigos de história para lembrar como era o Brasil de 20, 30 anos atrás. Não se venda ao fanatismo. Extremismo nenhum vale a pena. Lute pelos seus direitos, sabendo quem poderá defendê-los. Não seja partidarista, seja patriota.

E mais uma dica: esse ano teremos eleições regionais. Lembre-se que o peixe grande que está lá em Brasília e hoje é um político influente pode ter sido um vereador ou prefeito um dia. A mudança começa em você. Procure conhecer quem são os candidatos (não vote porque fulano indicou), pesquise a vida deles, jogue no Google "fulano acusado de" e saiba se ele se envolveu em alguma treta. Use todas as ferramentas possíveis para vasculhar a vida de quem pretende governar sua cidade.

Para mudar o Brasil, precisamos dar o primeiro passo. E ele será nas urnas! Só depende de você.

terça-feira, 8 de março de 2016

Bate-papo com Denise Tremura: a rainha das tags



Denise Tremura
Foto: Divulgação/ Facebook
Hoje, Dia Internacional da Mulher, trago uma entrevista com uma representante da classe que vem conquistando a internet. Na semana passada, comentei que para ser mulher, basta se definir à sua maneira, com suas características, ser quem você quer ser e entender-se, acima de tudo. A entrevistada de hoje resume bem isso, tem personalidade forte e se define facilmente como a “Rainha das Tags” no Twitter. Atualmente, com mais de 216 mil seguidores nessa rede (número que só cresce), Denise Tremura faz sucesso todos os dias. Suas Tags, que seguem a linha do SDV (Sigo De Volta), estão sempre na lista de assuntos do momento no Brasil. Às vezes, até mundial. Não é difícil encontrar algo como #SegundaDetremuraSDV nos trending toppics, repetidas vezes em primeiro lugar. Ao todo (somando Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat e Periscope) são mais de 300 mil seguidores. Simpática e sincera, Denise superou os desafios da vida com novas possibilidades de ser feliz. As redes sociais são pilastras em seu edifício de alegrias. Denise tem o pé no chão e parece saber exatamente “o que tá con teseno” no mundo dos jovens. No auge de seus 39 anos, ela é como uma tia conselheira e garantiu muitos seguidores graças ao seu jeito acolhedor. E agora ela conta pra gente as particularidades de seu sucesso.



Qual sua profissão?


Sou escritora. Ainda não sou publicada por editoras convencionais. Tenho um e-book na http://amazon.com  e um romance auto-biográfico que lancei de forma independente.


Qual a sua relação com a fotografia? Seu Instagram é repleto de imagens lindas. Você que fez as fotos?


Eu descobri a fotografia depois que fiquei viúva, com 36 anos. Sou bissexual e fui casada com uma mulher por 9 anos. Quando ela me deixou, eu passei a dedicar meu tempo às redes sociais. Quando eu entro numa rede, observo a linguagem que se fala ali e tento me adequar pra ter destaque. O segredo das redes sociais está em falar a linguagem que ela fala. E o Instagram fala em imagens, né? Observei que tinha muita foto de paisagem, de bebida, comida, flores, tudo com um enquadramento diferente. Não dá pra postar qualquer foto no Instagram, tem que ter um padrão de qualidade. E eu fico atenta a esse padrão. Nunca fiz curso de fotografia, minhas fotos são amadoras, feitas pelo celular mesmo. Nem sei ligar uma câmera profissional. Admiro muito o trabalho dos fotógrafos, pois tentaram me explicar sobre abertura, exposição, mas fiquei perdida.


Onde você mora?

Moro em São José do Rio Preto. São Paulo.


Há quanto tempo você utiliza o Twitter?


Tenho Twitter desde 2010, mas comecei a me dedicar em maio de 2015. Eu adorei a rede, descobri que não gostava antes porque não sabia mexer. É uma rede muito atual, tudo acontece no tempo real, é interessante e inteligente. Para uma pessoa com déficit de atenção como eu (risos) é maravilhoso, pois é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

No YouTube, quando e por que você começou a fazer o vídeos caseiros? Teve alguma motivação forte?


Criei o canal no Youtube porque as pessoas elogiavam muito meus Snaps* e o Youtube permite monetizar a rede, ou seja, o Youtube paga porcentagem dos anúncios aos criadores de conteúdo. Então pensei "por que não?". E tem dado certo. Ainda não ganho dinheiro significativo com os vídeos, mas estou a caminho disso.

*Vídeos compartilhados pela rede social Snapchat.


Seus vídeos transpassam um pouco da sua personalidade. Como você escolhe o tema do dia?


Geralmente, eu uso as dúvidas e perguntas do público como tema do dia para os vídeos. Meu público no Twitter é jovem, maioria adolescente, e eles também gostam do Youtube e me ajudam a criar conteúdo. Os jovens têm muita curiosidade sobre a vida e nem sempre têm coragem de conversar com adultos próximos. Eles me vêem como uma tia meio doida, uma conselheira que entende seus dramas e não vai julgar o comportamento de ninguém.


No YouTube, cada vídeo têm entre mil e 4 mil views. Já suas tags no Twitter chegam a ser retuitadas 40, 50, 60 mil vezes, e algumas entraram nos TT’s mundiais. A quê você atribui isso? Você acredita que é mais popular no Twitter? Ou a própria ferramenta do RT contribui para isso?


Meu canal ainda é pequeno. Comecei a crescer o Twitter primeiro e é mais difícil aumentar inscritos no Youtube. O sucesso no Twitter eu devo aos jovens. Eles me têm como um ídolo, alguém que conduz o esquema de "sigo de volta" (o famoso SDV de trocar seguidores). Os jovens são inteligentes e ligados, percebem que eu levo o Twitter a sério, então eles me levam a sério também. Eu chamo pra tuitar, todo mundo vem. E adolescentes e suas paixões! É muito gostoso lidar com esse público.
E sim, a ferramenta do RT ajuda muito a subir as tags e a dar projeção. No RT um tuíte é gerado muito rápido. Você não tem o tempo de pensar, escrever, procurar imagem. Basta um clique e isso fortalece as tags rapidamente.



Na descrição das suas redes, você se intitula “futura milionária”. Por quê?


Eu falo que eu sou "futura milionária" porque, em qualquer sonho, o começo é acreditar, né? Já vamos atraindo (risos). E pretendo ganhar dinheiro, é claro, através da minha influência da web. Somando todas as redes, meu alcance já passa de 300 mil pessoas (215k no Twitter, página no Facebook Filosofia de Boteco com 50K, perfil pessoal no Face com 5k de amigos e 6K de seguidores, 15k no Insta, e por aí vai). Esse alcance faz da minha pessoa um pequeno veículo de comunicação. E as emissoras de comunicação sobrevivem de anúncios, né?


Seu público alvo, como você mesma acabou de mencionar, é predominantemente adolescente. Você tem noção de quantos jovens você pode influenciar com suas dicas? Você pensa nisso antes de fazer um vídeo?


Eu tenho consciência que falar ao público adolescente é uma grande responsabilidade. Já me consideram formadora de opinião por causa do engajamento nas tags. Eles estão em fase de desenvolvimento e formação de caráter. Qualquer referência torta pode prejudicá-los vida afora. Tenho o cuidado de, ao expor meus defeitos, frisar que eu não sou exemplo a ser seguido. Mas procuro passar valores meus que considero importantes, como o respeito à natureza e aos animais, honestidade e amor ao próximo.


Como é o retorno dos seguidores? Como você define a sua relação com eles?


O retorno dos jovens é maravilhoso. Eles são espontâneos, ainda têm a sinceridade das crianças e gostam de interagir. Não consigo mais responder a todos, mas procuro sempre dar o máximo de atenção ao meu público. Afinal, se eu sou famosinha na internet é graças a eles, meus fãs.


Você é reconhecida na rua? E como é isso?


Já fui reconhecida na rua, poucas vezes. Nunca por causa do Twitter, mas já pelo Facebook (meu perfil pessoal é agitado também) e pelo Snapchat. O público do Twitter é bem pulverizado Brasil (e mundo) afora.


Rapidinhas:
Uma cor: azul
Um lugar:  meu quintal
Um time: Chapecoense
Uma comida: arroz, feijão, bife, salada
Uma sobremesa: eu não sou muito de doce, mas gosto de chocolate
Um programa de TV aberta: Pé na Cova
Um programa de TV fechada: Papo de Segunda no GNT
Uma tristeza: perder o meu amor pra morte
Uma alegria: meus seguidores
Detremura por Detremura: A vida nem sempre é fácil. Mas a gente pode enfrentar seus desafios com otimismo e alegria!


Saiba mais sobre Detremura. Acesse:
Snap: Detremura
Instagram: @detremura

terça-feira, 1 de março de 2016

O que é SER MULHER?

Lá vem eu falar de mulher de novo, mas hoje a postagem não tem muito a ver com feminismo.

Uma moça levantou essa questão no Twitter e me pediu ajuda, afinal precisava fazer uma redação e não sabia por onde começar.

Hoje estou na mesma situação pois esse assunto ficou retumbando em minha mente. Por onde começar? Difícil definir a mulher sem se basear em estereótipos. Definir o homem ocorre da mesma forma. Prometo ser sucinta.

De forma física, eu diria que mulher é aquela que possui seios e vagina. Embora travestis possam ter apenas um dos dois. E podem muito bem se considerarem mulheres. Por que não?

Dizer que mulher é aquela pessoa que tem cabelo grande, ou que se maquia, que usa saia ou adora salto alto, que tem vaidade e faz as unhas é generalizar demais e esquecer a personalidade de cada um.

De forma prática, eu diria que a mulher é aquela que é mãe. Mas convenhamos que existem aquelas que não querem ou não podem. Definir assim, pura e simplesmente, pode ser um pouco arriscado.

Subjetivamente dizemos que mulher é um ser sentimental, é aquela que chora, chamada de sexo frágil e muitas vezes sofredora. É aquela pessoa feminina, sonhadora, que pensa em se casar com um longo vestido de noiva. Mas sabemos que cada um tem seu modo de ser. Isso também seria uma tremenda generalização.

Mas então? Quem somos? Como nos definir?

Decidi que, sem generalizar, somos um ser multifacetado, multifunção, diversificado. Somos aquilo que queremos ser. E isso vale para homens e mulheres.

Na verdade, não existe um único valor para definir quem é mulher ou não. Muitas vezes, as características, sejam elas físicas ou subjetivas, que usamos para definir uma mulher não servem para outra, que tem outros elementos que a definem por assim dizer.

Somos conjuntos de elementos singulares que, juntos, nos definem. Somos quem sentimos ser!

Podemos ser guerreiras, mas também podemos ser frágeis. Por que não? Podemos ser assim desde o nascimento, mas também podemos nos tornar depois uma certa idade. Podemos ser mães, ou não. Podemos ser femininas, ou não. Podemos ser feministas, ou não. Podemos ser cabeludas ou depiladas. Podemos escolher quais elementos nos definem e dizer: SOU MULHER! E SÓ EU SEI POR QUE.