A moda agora é dar "rolezim" no shopping. E isso está atormentando o poder público.
Vamos aos fatos: tudo começou com um grupo de jovens que decidiu marcar um encontrão pela internet e o destino era um shopping. Eram jovens de classe média baixa. Mas, como tudo tem um "mas", alguns resolveram tumultuar o encontro. Assim como em toda manifestação pacífica tem um baderneiro para quebrar o patrimônio público.
Depois de um, outros rolezinhos vieram e a segurança se mostrou frágil.
Eu vejo da seguinte forma: o shopping é um lugar pouco acessível para aqueles que têm uma renda baixa. Aqueles que vivem na periferia estão acostumados a ter como opção de entretenimento o baile funk (desculpe se estou generalizando, mas depois das entrevistas que vi, o pessoal que frenquentou alguns dos rolezinhos tinha esse perfil e falava muito sobre o funk, a periferia e os bailes). Ir ao shopping é como ostentar em território alheio, é diversão. Onde muitos vão para fazer compras, eles estão indo para ver as vitrines e conhecer outras pessoas.
Acredito que, quanto mais alarde a polícia e o governo fizerem em relação a essa manifestação social, mais vai existir gente querendo planejar rolezinhos, como se dissessem: "Temos direito de marcar encontros onde quisermos".
Vale uma pequena obervação: com os shoppings lotados, pode acontecer casos de furtos e confusões causadas por pessoas má intencionadas, mas isso é de responsabilidade da gerência do local, que deve ter medidas para prevenir que isso aconteça em qualquer situação (até porque sempre achei o shopping um local pouco seguro, já que não são todas as lojas que têm câmeras e nem sempre existem muitos seguranças no local).
Eu penso que o rolezinho é uma forma de conhecerem um local frequentado pela "patricinha" (que também vai ao baile funk). "Se ela vem aqui, vou lá no território dela". Em Belo Horizonte, foi marcado um rolezinho para o shopping Pátio Savassi (shopping frequentado em geral por pessoas de classe média alta), que eles chamaram de "Rolezaum no Paty Savassi". O nome do encontro mostra essa necessidade de conhecer o outro. É como se quisessem invadir o espaço da "patricinha". Esse rolezinho não aconteceu já que encheram o local de policiais militares, reprimindo quem pensou em ir.
Como vi alguns sociólogos dizerem, e concordei com eles, faltam espaços de lazer para a classe média baixa. São poucas as opções e a divisão entre pobre e rico ainda é muito clara. Falta inserção social.
Enfim, o rolezinho é uma manifestação social e as autoridades estão se mostrando frágeis diante de certas situações, eles parecem ter medo do que foge ao normal.
Que venha a Copa, estou doida para ver como vai ser isso.
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