quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Violência: a forma mais arcaica de fazer justiça

Esses dias, o Brasil inteiro repercutiu e discutiu sobre o incidente do Aterro do Flamengo, em que o menino negro foi preso em um poste com uma tranca de bicicleta por um grupo denominado "Os Justiceiros".

Alguns colegas da mídia defenderam os justiceiros, outros defenderam o adolescente. Antes de julgar qualquer circunstância, vamos expor algumas questões.

O caso escancara a violência, algo que existe desde os primórdios da humanidade. Na época em que Jesus Cristo viveu, a violência era comum. Bater, arrancar dedos de quem roubou, apedrejar mulheres promíscuas, pregar em uma cruz alguém que cometeu algum crime (ou "blasfemou" dizendo ser filho de Deus) era comum. Depois disso, a Santa Inquisição ainda queimou mulheres vivas.


Quero deixar bem claro que essas imagens estão lado a lado para mostrar a proximidade das formas de castigo, até porque, não foi somente Jesus quem foi crucificado, pois na época esse castigo era comum. Em nenhum momento desejo comparar o adolescente com Cristo.

Daí se vê o caráter arcaico da violência. É tão antigo esse negócio de fazer justiça com as próprias mãos (de acordo com as leis criadas na própria cabeça) ou condenar as pessoas que erram como se fossem qualquer coisa, menos um ser humano, que fico assustada ao ver que as pessoas, não sei quantos mil anos depois, ainda pensam assim.

A polícia brasileira é falha? É sim. Mas de acordo com as nossas leis, somente ela pode prender. Vi no comentário da Rachel Sheherazade que o cidadão comum pode prender um infrator enquanto a polícia não aparace. Ela está certa, só que se esqueceu que o menino levou um verdadeiro "cacete" desse justiceiros. Ele apanhou antes de ser preso e ninguém chamou os policiais. Isso está certo?

Um assunto muito polêmico que deve entrar aqui é a redução da maioridade penal para 16 anos ou menos. Se isso fosse realidade no Brasil, talvez esse menino estaria preso, e não passaria por esta cena de barbárie. Claro que não pretendo aprofundar no assunto, pois meu maior medo é que se a maioridade diminuir, crianças passem cada vez mais a entrar no mundo do crime. Mas fica a reflexão, será que ele estaria solto nas ruas?

O que quero dizer é que por mais que o sujeito esteja errado, quem deve julgá-lo, predê-lo e condená-lo é o órgão responsável, e não aquele que não teve essa função dirigida a ele.

É claro que a própria polícia é truculenta e violenta às vezes, mas isso é outro problema que o Brasil deve resolver.

A última questão, mas não menos importante é sobre o futuro desse adolescente. Como serão as lembranças dele sobre essa data? Será que adiantou alguma coisa? Por um acaso ele se tornou um pessoa melhor depois de apanhar de cerca de 15 pessoas? Ele vai voltar a roubar ou vai entrar para a igreja? Ele vai querer se vingar dessas pessoas?

Ficaremos na dúvida. Só o tempo irá dizer.

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