Um dos nossos maiores desafios, que percorre séculos de nossa existência, é conviver com as diferenças. A classes sociais e etnias são diferenças que exigem amplas discussões, mas podemos discutir em outros tópicos. Desde os tempos mais remotos, o ser humano despreza todos aqueles que sofrem de algum mal. Estou falando de diferenças relacionadas às doenças.
A exemplo disso, podemos falar sobre a hanseníase, ou lepra, que é muito citada nos livros bíblicos. Uma doença degenerativa, causada por bactéria, que acomete as pessoas e se alastra pelo corpo à medida que avança. Lembra-se do que ocorria com os leprosos? Viviam à margem da sociedade, eram mal-tratados, as pessoas tinham nojo de chegar perto, ficavam na miséria e morriam em pouco tempo por falta de tratamento. Reflexo da falta de informação. Hoje sabemos que existe a cura e as pessoas já não sofrem tanto assim, o tratamento pode ser realizado pelo SUS a base de antibióticos.
Evoluímos bastante, mas não o suficiente. As doenças ainda são mal-interpretadas, várias delas. Conviver com as diferenças vai muito além de apenas saber que elas existem. Exige empenho!
Vamos às situações:
Você está no ônibus e, quando ele para no ponto, entra uma mãe/pai com um(a) filha/filho, criança, aparentando ter síndrome de down. Eles se sentam nos bancos à sua frente e a criança fica olhando para você. O que você faz?
A) Brinca com ela, sorri, manda beijos, pergunta o nome.
B) Finge que não vê, pois não sabe se o responsável vai estar aberto para o diálogo.
C) Fica com medo pois não confia em deficientes mentais.
D) Puxa assunto com a mãe perguntando sobre a doença da criança.
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| Reprodução Google Images |
Se você respondeu letra "A", pode se considerar uma pessoa tolerante às diferenças. Brincaria com qualquer criança.
Se você cogitou qualquer uma das outras alternativas (seja sincero consigo mesmo), é hora de parar e pensar. Muitas vezes as mães de filhos deficientes podem ser super protetoras e realmente não darem abertura para os filhos interagirem com outras pessoas. Para mim, um erro. Uma das coisas que torna uma pessoa incapaz é a criação: se você tem um filho deficiente, deve apoiá-lo e dar forças para que ele consiga utilizar os outros sentidos e se sentir independente (dentro de suas limitações, claro). "Coitadinho" jamais! (pessoas criadas como coitadas tendem a crescer dependentes e se isolarem do mundo).
Ter medo de pessoas com deficiência mental é um absurdo, mas acontece. Você deve procurar conhecer as doenças, ou ser tolerante mesmo, só assim vai saber como lidar. Saiba que a pessoa com síndrome de down tem mais em comum do que diferente com o restante da população. Na dúvida, dê um sorriso. Você será surpreendido.
Se você puxar assunto com quem está acompanhando a pessoa com a doença, fale sobre como o dia está quente, como o motorista está correndo, a passagem está cara... jamais comece uma conversa falando sobre a diferença da pessoa. Isso vale para todos. Pense: os pais da criança com down já devem estar bem cansados de falar sobre a doença do filho. Ela é motivo de assunto em rodas de família, festas, no hospital, na escola... os pais ficam saturados com o assunto. Apenas pergunte algo (afinal, somos sempre curiosos) se a pessoa der abertura.
Recentemente, uma mulher que teve câncer de mama me contou que se sente bastante incomodada quando lhe perguntam sobre sua falta de cabelos: "Você tem câncer?", "Onde que é seu câncer?", "Quimioterapia dói muito", "Você vai tirar os seios?". São perguntas que chegam a ser inconvenientes. Lembre-se: a pessoa que tem uma doença já está de "saco cheio" de falar sobre ela. Ela que comentar futebol, novela, política, comida, qualquer coisa que lhe faça esquecer por algum momento sobre sua condição de saúde.
Outra situação acontece com deficientes visuais. Um fato muito comentado pelo humorista Geraldo Magela é quando se chega em um restaurante, por exemplo, e perguntam "o que ele vai querer". Magela geralmente responde: "Pode perguntar pra mim, sou cego, não sou surdo". Magela, conhecido como O Ceguinho, também sugere outras dicas como: "pode falar a palavra 'cego', não tem problema, é o que sou". Apenas dê o braço, ao invés de puxar o cego para ajudá-lo a chegar em algum lugar. Toque nele para que saiba onde você está. Converse com ele normalmente, cegos geralmente ampliam os outros sentidos e percebem tudo à sua volta. E, entre outros aspectos, novamente não fale com ele apenas sobre sua doença.
Para refletir: pense em uma coisa em você que lhe incomode muito (barriga, orelha, nariz, perna, cabelos, dentes). Agora imagine que toda vez que alguém vá puxar assunto com você fale somente sobre isso. Eu, por exemplo, sou muito magra e me sinto muito incomodada quando o assunto é sempre minha magreza. Entendeu?
Para finalizar, lembre-se sempre que não somos todos iguais, somos diferentes! Apenas devemos respeito e tolerância.
Sobre as doenças que citei:
Saiba mais sobre a hanseníase no site da Sociedade Brasileira de Dermatologia: http://www.sbd.org.br/doencas/hanseniase/
Entenda o câncer acessando o site do INCA: http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=322
Conheça mais sobre a Síndrome de Down em: http://www.movimentodown.org.br/sindrome-de-down/o-que-e/
Não citei, mas acho importante ler sobre o autismo também. Acesse: http://autismoerealidade.org/informe-se/sobre-o-autismo/o-que-e-autismo/

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