Você tem noção das consequências da epidemia de dengue?
Deixei de publicar no blog semana passada porque meu pai e minha mãe ficaram com dengue. E eu? Peguei uma infecção alimentícia após comer um salgado mal-feito na lanchonete em frente ao hospital.
Mas enfim...
Por causa da epidemia de dengue, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul, daqui de Belo Horizonte, estava lotada! Mas lotada na sala de espera, lá dentro, tal como coração de mãe, cabia tratamento para todo mundo. A maioria dos casos eram suspeitas de dengue. O bendito Aedes Aegypti está sobrecarregando os hospitais.
Um enfermeiro me pediu desculpas enquanto eu acompanhava minha mãe: "Hoje é um dia atípico".
Fiquei com ela cerca de 30 horas dentro da UPA.
Lá fora, pessoas com pulseiras verdes (triagem feita com o tal do protocolo de Manchester) esperavam cerca de 6 horas para serem atendidas. Pulseiras amarelas, pouco mais graves que as verdes, esperavam ainda 4 horas, assim como minha mãe, com 68 anos e febre de 38, esperou. Ainda há pulseiras laranjas e vermelhas, casos em que pessoas quase morrendo são atendidas.
Em um dia normal, sem surto de dengue, a mesma UPA fica cheia mesmo, mas o tempo de espera e o cansaço da equipe é bem menor.
Fica claro na expressão dos enfermeiros, médicos e demais profissionais que estão sobrecarregados. E ainda são obrigados a trabalhar com falta de infraestrutura. São obrigados a ouvir xingamentos de quem já não aguenta esperar.
Entre um caso de dengue aqui e outro ali...
Um senhor (com dengue) precisou ser amarrado, confuso da cabeça, achando que estava sendo mal-tratado.
Uma paciente chegou pelo SAMU, com falta de ar e precisou ser ligada ao oxigênio. Poucos leitos têm a entrada de oxigênio e outros pacientes precisam também. Poucos leitos ficam perto de tomadas e alguns pacientes precisam de um aparelho para medir batimentos cardíacos. Resultado: dança das cadeiras, ou macas, para arrumar um lugar para a nova paciente.
Uma outra paciente, já internada, teve um ataque epilético e precisou ser socorrida imediatamente.
Os três casos precisaram de atenção de todos os técnicos de enfermagem em plantão. Paralisando o atendimento lá fora.
Uma moça com dengue que estava com plaquetas muito baixas e internada há três dias, precisou ser transferida para o único hospital que havia vaga, do outro lado da cidade, na região do Barreiro, afinal, casos de dengue estão lotando os hospitais e pacientes com plaquetas muito baixas precisam ficar em observação.
Durante a madrugada, não existe sono. Pacientes não param de chegar.
Pela manhã, procurei atendimento devido ao mal-estar que senti. O médico que me atendeu me confidenciou que estava cumprindo aviso prévio. Médicos foram demitidos e há mais de um ano não acontecem mais contratações. Naquele dia, um profissional também havia faltado por motivo de doença (seria dengue?).
Junta-se dengue e crise econômica, tem-se caos na saúde e profissionais rebolando para dar conta de tantos atendimentos.
Fiquei no soro, tive alta após medicação.
Em contrapartida ao tempo de espera em cadeiras de plástico, pelo menos temos o zelo dos profissionais, resolução (ou tentativa de resolver) todos os seus problemas (Faz-se eletrocardiograma, hemograma, ultrassom, raio-x, entre tantas outras formas de diagnosticar algo), atenção, lanche para os enfermos, banho e roupas (provenientes de doações talvez) para quem quiser trocar após se banhar.
Depois de tomar 11 frascos de soro na veia, controlar sua pressão alta, sua glicose, receber um pedido de ultrassonografia abdominal total, todas as orientações possíveis e já com o rosto rosado, minha mãe teve alta.
Saí da UPA com sensação de que precisamos de mais atenção à saúde, contratação de profissionais e preocupação do poder público com o cidadão. Mas muito além disso: PRECISAMOS QUE CADA UM FAÇA SUA PARTE NO QUE SE REFERE AO MOSQUITO AEDES AEGYPTI.
Pense: o SUS, que já anda capengando, não vai aguentar tantos casos de dengue (e agora o tal de Zika e Chikungunya).
Posso ser redundante?
Não custa nada cuidar da higiene da sua casa, olhar os vasos de plantas, as caixas d'água ou qualquer coisa que estiver ao ar livre sujeito a acúmulo de água. Gente! Até tampinha de garrafa para cima pode ser berçário de larvinhas de dengue.
Cuide-se.
Dengue não é legal. É uma semana sem estudar, sem trabalhar, sem ir à festas, sem sair de casa, tomando aquele soro horrível, ficando sem fome, se coçando de tanta mancha vermelha, com febre, dor no corpo, tomando paracetamol até dizer chega... Você não vai querer!

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