quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

As controvérsias de uma greve de rodoviários

Na última segunda-feira, dia 24 de fevereiro de 2014, os rodoviários de Belo Horizonte e região metropolitana resolveram entrar em greve. As reivindicações são as mesmas de sempre: motoristas, cobradores e demais funcionários pediram 21,5% de reajuste salarial, redução da jornada de trabalho para 6 horas, participação nos lucros das empresas e fim das punições geradas por batidas e multas administrativas. Hoje, a greve chegou ao fim após uma assembleia dos rodoviários que decidiram acatar a proposta do Ministério do Trabalho, feita na tarde de terça-feira (25/02). 

Assim, eles aceitaram um reajuste salarial de 7,25%, jornada de trabalho de 6 horas e 20 minutos mais uma hora de almoço e retirada da punição disciplinar das cláusulas dos contratos entre empresas e trabalhadores. Todo mundo feliz, só que não.


Os poucos ônibus que passaram, ficaram lotados.

Durante o período da greve, muito justa por sinal, muita gente foi prejudicada e isso é óbvio. Mas além disso, o passageiro foi feito de trouxa

Ocorre que as empresas foram obrigadas a colocar pelo menos 30% da frota na rua. Os motoristas #chateados arrumaram vários jeitinhos de se manterem em greve. Presenciei um motorista que resolveu parar o veículo para "fazer hora", como o próprio cobrador disse, e os passageiros que lá estavam tiveram que esperar a boa vontade do sujeito em seguir viajem. Outro motorista resolveu andar a 30 por hora em vias de trânsito rápido só para protestar. Já que 30% tem que estar na rua, que funcione direito. O passageiro espera o ônibus com sol na mulera por horas, aí ele passa e faz sacanagem com o sujeito que já está atrasado para o trabalho?

As reivindicações são válidas. Mas muita coisa também precisa mudar, não só para os funcionários mas para os passageiros. Os ônibus estão operando na maior falta de conforto e de manutenção (coisas que também deveriam, a princípio, ser cobradas das empresas). Os próprios motoristas que entraram em greve são os mesmos (pelo menos boa parte) que não têm comprometimento com horários, que passam direto no ponto só porque já tem outro ônibus parado e eles não querem esperar na fila para pegar o passageiro. Esses são os mesmos que duvidam da honestidade das pessoas trancando a catraca enquanto pegam o dinheiro da grávida, enfiam no bolso e não rodam a roleta.

Sejamos justos um com o outro. E todo mundo sairá ganhando.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

A TV que dita nosso cotidiano

Essa semana parei para me perguntar por que estava dormindo tão tarde, sabendo que deveria acordar cedo no dia seguinte. Depois de observar meus hábitos, percebi que meus horários coincidiam com os programas de TV. Sempre ia dormir depois que certo programa terminasse.


Observei ainda mais. Era nos intervalos que eu ia escovar dentes, preparar um suco, arrumar minha cama para dormir, tirar um esmalte, ler um texto...

Então, cheguei à conclusão de que, por causa da TV, muitas atividades que realizo em casa estão dependendo da programação televisiva. Hoje mesmo, estava na casa do meu namorado e, o que ditou a hora de voltar para minha casa foi o término da exibição do jogo de futebol na TV.

Refletindo sobre a situação, lembrei-me que muitas atividades realizadas por pessoas próximas a mim dependem dos intervalos e términos de programas. Minha mãe por exemplo, janta antes que a novela das 9h da Rede Globo comece, muitas vezes ela vai para a frente da TV com seu prato na mão. Já minha sogra, prepara o jantar durante os intervalos e finaliza somente após a novela.

Iguais a mim e a elas existem muitos. Todos vão dormir depois de certo programa, saem de casa depois de assistir algum programa matinal, voltam de passeios com pressa para chegar à tempo de ver um jogo, ou uma série. 

Não quero dizer que a TV esteja manipulando as pessoas e não pretendo entrar em Teorias da Comunicação pois o raciocínio é bem simples: a televisão faz parte do cotidiano de tal forma que, se tirá-la, trará um estranhamento a quem já se acostumou.

É comum perguntar as horas, e a pessoa responder "Tá na hora da novela" ou "Tá na hora do jogo", vira referência. Se ligarmos a TV e estiver passando o programa Mais Você, da Ana Maria Braga, saberemos que está de manhã e está cedo ou tarde para sair de casa (dependendo dos compromissos de cada um). Sem a TV, poucos lembrariam de atrasar o relógio em 1 hora quando acaba o horário de verão (eu só lembrei disso depois que vi o alerta na TV).

Sem desmerecer o rádio, os jornais, a internet... mas a TV ainda é o meio de comunicação mais presente na casa das pessoas  e parece que continuará a ser por muito tempo ainda. Afinal, a TV é nossa agenda. Ela é parte da rotina da nossa casa.

Agora com licença, porque minha série preferida acabou de começar e não posso perder!!!!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Violência: a forma mais arcaica de fazer justiça

Esses dias, o Brasil inteiro repercutiu e discutiu sobre o incidente do Aterro do Flamengo, em que o menino negro foi preso em um poste com uma tranca de bicicleta por um grupo denominado "Os Justiceiros".

Alguns colegas da mídia defenderam os justiceiros, outros defenderam o adolescente. Antes de julgar qualquer circunstância, vamos expor algumas questões.

O caso escancara a violência, algo que existe desde os primórdios da humanidade. Na época em que Jesus Cristo viveu, a violência era comum. Bater, arrancar dedos de quem roubou, apedrejar mulheres promíscuas, pregar em uma cruz alguém que cometeu algum crime (ou "blasfemou" dizendo ser filho de Deus) era comum. Depois disso, a Santa Inquisição ainda queimou mulheres vivas.


Quero deixar bem claro que essas imagens estão lado a lado para mostrar a proximidade das formas de castigo, até porque, não foi somente Jesus quem foi crucificado, pois na época esse castigo era comum. Em nenhum momento desejo comparar o adolescente com Cristo.

Daí se vê o caráter arcaico da violência. É tão antigo esse negócio de fazer justiça com as próprias mãos (de acordo com as leis criadas na própria cabeça) ou condenar as pessoas que erram como se fossem qualquer coisa, menos um ser humano, que fico assustada ao ver que as pessoas, não sei quantos mil anos depois, ainda pensam assim.

A polícia brasileira é falha? É sim. Mas de acordo com as nossas leis, somente ela pode prender. Vi no comentário da Rachel Sheherazade que o cidadão comum pode prender um infrator enquanto a polícia não aparace. Ela está certa, só que se esqueceu que o menino levou um verdadeiro "cacete" desse justiceiros. Ele apanhou antes de ser preso e ninguém chamou os policiais. Isso está certo?

Um assunto muito polêmico que deve entrar aqui é a redução da maioridade penal para 16 anos ou menos. Se isso fosse realidade no Brasil, talvez esse menino estaria preso, e não passaria por esta cena de barbárie. Claro que não pretendo aprofundar no assunto, pois meu maior medo é que se a maioridade diminuir, crianças passem cada vez mais a entrar no mundo do crime. Mas fica a reflexão, será que ele estaria solto nas ruas?

O que quero dizer é que por mais que o sujeito esteja errado, quem deve julgá-lo, predê-lo e condená-lo é o órgão responsável, e não aquele que não teve essa função dirigida a ele.

É claro que a própria polícia é truculenta e violenta às vezes, mas isso é outro problema que o Brasil deve resolver.

A última questão, mas não menos importante é sobre o futuro desse adolescente. Como serão as lembranças dele sobre essa data? Será que adiantou alguma coisa? Por um acaso ele se tornou um pessoa melhor depois de apanhar de cerca de 15 pessoas? Ele vai voltar a roubar ou vai entrar para a igreja? Ele vai querer se vingar dessas pessoas?

Ficaremos na dúvida. Só o tempo irá dizer.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Beijo gay na TV: análise tardia, mas ainda válida.

Demorei um pouco para escrever algo, mas tantas coisas aconteceram na última semana (Beijo gay, assassinato de Eduardo Coutinho, menino amarrado em poste, médica cubana abandonando "Mais Médicos", etc.), que foi preciso parar para analisar os fatos antes de comentar sobre qualquer coisa.

O assunto aqui hoje é o beijo entre os personagens Niko e Félix, na novela Amor à Vida, que gerou mais repercussão que a morte do Mandela (pelo menos no Brasil, pelo menos na minha opinião). Sei que os assuntos têm uma efemeridade e logo se tornam passado. Mas só depois de ler rios de opiniões sobre o assunto é que me senti à vontade para escrever sobre.

Beijo foi exibido às 23h08 do dia 31 de janeiro de 2014

A primeira questão se deve ao fato da Rede Globo ter quebrado um tabu, que era dela. O beijo só se concretizou a partir do momento que os próprios telespectadores pediram. Boa parte da população queria e torcia para que isso acontecesse. A emissora não é boba e imaginou a audiência e a repercussão que esse possível primeiro beijo gay da TV aberta poderia causar. Assim o fez e "pimba", o resultado foi melhor do que se esperava.

Há quem diga que o primeiro beijo gay em novela na TV aberta ocorreu na TV Tupi, em 1964. Eu também me lembro dos anos 2005 à 2007, quando era exibido na MTV (que na TV aberta funcionava no canal 29), o programa "Beija Sapo", apresentado pela Daniella Cicarelli, e que com frequência formava casais gays. Os beijos aconteciam (e não eram apenas selinhos) e eram de verdade, não ficção. Mas a questão aqui não é discutir quem foi o primeiro. 

Fora essa discussão, há um fator social muito grande encrustado na questão desse beijo em específico. Os gays são marginalizados pela sociedade protetora da família brasileira e "coxinha" que critica tudo que não é espelho. Pessoas gostarem de pessoas do mesmo sexo é normal há muito tempo, mas a TV, em geral, a toda poderosa Globo, é que ainda não tinha mostrado. Visto que a Globo atinge um grande número de espectadores, e isso não podemos negar, o tal beijo funcionou como um grande passo para esse grupo que se sente excluído. Eles comemoraram, choraram e "se viram" na TV. 

Em outros países, beijos gays são até normais, e, com esse primeiro tabu quebrado, o que se espera é que aqui se torne normal também. A esperança dos homossexuais é que um dia eles deixem de ser tratados como diferentes.

Aos que criticaram a atitude da emissora, gostei da palavra do Pastor Marco Feliciano, que criticou (como poderíamos prever) mas disse que não se preocupou muito pois, para ele, o mais importante são as crianças e no horário da novela elas estariam dormindo. Isso responde algumas pessoas que perguntaram "Como vou explicar isso para o meu filho?". É muito simples: 23h é horário de criança estar na cama, a explicação sobre a existência amor entre pessoas do mesmo sexo deve existir muito antes disso passar na TV, afinal, basta sair na rua que elas estarão lá e, por fim, quem seleciona o que assistir é o telespectador, se não queria ver, que não ligasse a TV.

Um brinde à liberdade! Foi só mais um degrau que sociedade subiu, ainda falta muito!

Sobre o assunto tratado aqui, sugiro que leiam:

Foi na longínqua década de 60 o primeiro beijo gay na TV, por Kika Castro:
http://www.otempo.com.br/blogs/blog-da-kikacastro-19.180341/foi-na-long%C3%ADnqua-d%C3%A9cada-de-60-o-primeiro-beijo-gay-na-tv-19.224720

O Brasil depois daquele beijo, por Juan Arias:
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/02/opinion/1391359197_321583.html