terça-feira, 10 de novembro de 2015

10 coisas sobre ser um graduado desempregado

É pessoal, 2015 foi um ano em que várias empresas resolveram cortar gastos diante do alarde de uma crise que se instalou no Brasil. O fato é que, com esses cortes no orçamento, milhares de trabalhadores ficaram desempregados. As filas de pessoas em busca de vagas contornam as ruas e passar por uma seleção fica cada vez mais complicado.


Estar desempregado significa ver as contas baterem na porta, ver seu nome indo para o SPC/Serasa e ainda ouvir críticas das mais variadas, aliás, é só querer que você arruma emprego, certo? Essa pressão aumenta mais se você tiver uma graduação, afinal, quem se formou tem obrigação de estar empregado pois estudou para isso, não é mesmo?


Mas sua vida é mais ou menos assim:


1. Logo no primeiro dia, bate aquele desespero: Ferrou, estou desempregado, e agora? Durante a primeira semana é hora de relaxar, fazer o acerto ou ver se tem seguro desemprego para receber.




2. Da segunda até a terceira ou quarta semana, fica tranquilo, gastando o dinheiro que resta. Faz de conta que está de férias, dorme tarde, acorda tarde, come besteiras, fica ativo nas redes sociais, põe as séries em dia e, aos poucos,  atualiza o currículo e envia para o e-mail do RH das empresas de sua área de atuação. Afinal ninguém espera ficar desempregado por muito tempo, então fica de boa.




3. No segundo mês, percebe que, após não receber telefonema algum sobre os e-mails, resolve ir pessoalmente, com o currículo em mãos. Veste sua melhor roupa, arruma cabelo (maquiagem) e se prepara para possíveis conversas com os diretores. Chegando às empresas, a resposta quase sempre se repete: “Não temos vagas no momento, mas pode deixar seu currículo conosco. Queria pedir para enviar por e-mail também pra gente colocar no nosso banco de dados”. Sim, o currículo impresso quase nunca é necessário. Mas você sente que foi bom ir pessoalmente ao local e dar sorte de conseguir conversar com alguém da direção ou do RH, pois, na maioria das vezes, você entregou seu currículo para a recepcionista que disse: “vou enviar para o setor responsável, ai a gente entra em contato, tá?”




4. Depois de chegar em casa com bolhas no pé, de tanto andar de empresa em empresa, é hora de enviar por e-mail o mesmo currículo que acabou de entregar impresso.




5. No terceiro mês, seu celular passa a ser um complemento do corpo. Qualquer ligação pode ser para uma entrevista, então não pode largá-lo, nem mesmo para ir ao banheiro ou tomar banho. Você tem o aplicativo de e-mail no smartphone e qualquer alerta sonoro de novo e-mail é motivo para correr e pegar o celular e, na maioria das vezes, é simplesmente uma atualização de Twitter, Facebook, ou mala-direta de alguma empresa. Muitas vezes, você recebe e-mail dos sites de emprego (sim, a essa altura, você já fez cadastro em todos possíveis) lembrando que você pode ativar a Conta Plus por apenas 19,90 mensais. Nesse momento você se pergunta: como pagar tantas contas plus nesses sites se estou desempregado, vou tirar dinheiro de onde?




6. Você repete quase a mesma pergunta quando assiste a um especialista na área dizer: “é muito importante combater o desemprego fazendo cursos de especialização na área para fortalecer o currículo” (Bom, se ele me emprestar a grana para pagar uma pós, eu faço).




7. Ao mesmo tempo, você precisa dar explicações para as tias curiosas, os amigos empregados e até para o vizinho sobre o porquê de possuir uma graduação e não estar trabalhando. “Já foi no Sine?” (Já!). “Tem um site chamado vagas.com, ja viu?” (Me inscrevi mês passado). “Você tem certeza que tentou todas as empresas possíveis?” (Tá duvidando do meu esforço?). “Se você ficar só em casa, o emprego vai bater na porta não, ta?” (Quem disse isso?).




8. Já há quase quatro meses desempregado, passando por entrevistas ou não, você resolve procurar emprego fora da área para fazer o tal curso de especialização que o especialista disse na TV. Já com uma experiência em distribuir currículo, faz uma adaptação nele (a milésima, afinal para cada cargo, você coloca um objetivo diferente) e sai distribuindo, tipo carteiro, em empresas variadas. Mas não, você passou a vida fazendo estágios na própria área e não tem experiência suficiente para ser auxiliar de escritório, vendedor, recepcionista, promotor, ascensorista… e a todo momento repete para si mesmo: “Não, eu tenho uma graduação, não posso ser atendente de lanchonete nem balconista” (cargos que sempre têm vagas).



9. Ai, alguém te dá a brilhante ideia de prestar concurso. Você vai lá, todo feliz e animado com o possível salário e bonificações, faz a inscrição (que sempre beira os 100 reais e você pega emprestado com alguém) e resolve estudar em casa. Ai, após pegar o gabarito, percebe que errou mais questões do que deveria e lembra que era melhor ter pago um cursinho (com que dinheiro mesmo?).



10. No fim, você espera por um milagre enquanto faz freelas ou trabalhos manuais quando se tem alguma criatividade. E ninguém, absolutamente ninguém, te diz realmente o que fazer para conseguir emprego na sua área, afinal, se alguns de seus amigos estão trabalhando porque conseguiram uma indicação, os outros estão procurando emprego também.


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