segunda-feira, 30 de novembro de 2015

#PorMaisAmizadesPresenciais

Você abre o Facebook e vê que seu amigo está fazendo aniversário e publica um “Parabéns!” seguido de um textão desejando-lhe felicidades. Um amigo publica algo interessante, você curte, comenta e conversa com ele pelo comentários. Sua  amiga posta foto fazendo biquinho no Instagram e você comenta “Linda!”, seguida de um convite para sair. Depois outra amiga posta uma foto da viagem e você comenta “Que saudade!”. Daí, você está andando na rua e se depara, em alguma ocasião, com um desses amigos (que pelas redes sociais parecem amigões) e… vocês se olham, sorriem, balançam a cabeça e dizem “oi” (isso quando simplesmente não se olham e apenas pensam “olha aquela menina do Face”).


Identificou-se?


Pois é isso que acontece ultimamente. Um fenômeno que chamo de superficialidade da amizade, ou virtualidade da amizade.


Tudo começa quando você faz uma nova amizade, seja com colegas de trabalho, ou de escola\faculdade ou seja lá o que for. Essa amizade passa a ser mais virtual do que presencial quando vocês não mais convivem um com o outro. Daí, o Facebook dá aquela ajudinha para vocês saberem tudo sobre suas vidas. Viagens, acontecimentos como um noivado, batizado, mudança de casa… tudo!


Aí, inconscientemente você supõe não ser necessário ligar e perguntar como vai a vida do seu amigo. Não o chama para sair. Não o convida para seu aniversário. Afinal, ta tudo bem na vida dele. Você viu, pelas fotos.


Acontece que a gente esquece que ninguém publica suas tristezas e decepções nas redes sociais (não, não vale textão sobre relacionamentos mal acabados). Vendo uma postagem, você não sabe se aquela pessoa precisa de um ombro amigo. Você não vive a realidade oculta. Vê apenas o que vale a pena ser compartilhado.


Esses dias, chamei uma amiga do Facebook para me acompanhar numa visita a uma rádio, na qual eu poderia levar um acompanhante e sabia, graças à rede social, que ela gostava dessa rádio. Por ter uma amizade basicamente virtual, ela admirou-se em receber o convite. Sim, essa é uma reação natural. Estamos tão acostumados com o famoso “Vamu se encontrar qualquer dia” e esse dia nunca chegar, que quando o convite é real, ficamos admirados mesmo. Essa amiga acabou não indo por conta de um probleminha e eu conheci mais um pouquinho sobre a vida dela naquele dia.

As relações virtuais não são desnecessárias, são muito úteis inclusive! Mas jamais devemos nos esquecer das relações pessoais, da conversa no bar, na praça, na rua. Da conversa cara a cara. Não dá pra abraçar pelo computador. Não dá pra sentir reações e expressões pelo Whatsapp.


Se você chegou até aqui no texto, deve estar lembrando dos vários “amigos” que tem e mal se relaciona com eles. Aproveite e vá lá, chame para sair, dê um presente real e não virtual no dia de seu aniversário. Pergunte como vai a vida dele, provavelmente ele vai te contar algo que não apareceu em sua timeline.

#PorMaisAmizadesPresenciais

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O dia que conheci Maria José

Tarde de sábado, sob o sol escaldante de meio dia, estava Maria José, com seus 40 e poucos anos, esperando o ônibus após largar o serviço.

Aliás, o serviço fichado, com patrão e horário para trabalhar era seu principal alvo de reclamação.

“Estou louca pra abrir meu negócio próprio e voltar a ser dona dos meus horários. Já tive cinco funcionários, agora fico a mercê de patrão”.

Com a demora do ônibus, Maria expôs mais uma situação que lhe incomodava: o bairro em que mora.

“Estou louca pra sair desse Taquaril e ir pro meu lote perto de Ribeirão das Neves, ali pertinho, ô lugarzinho bão!”

Entre o desespero de lembrar que havia perdido 400 reais e o consequente atraso da prestação do lote, Maria sonha. Sonha em morar no bairro que tem supermercado, açougue e ponto de ônibus próximo. Sonha em abrir uma vendinha, crescer e ser sua própria patroa.

“Já olhei o que tem lá, vi que não tem sorveteria nem loja de suco, então vou construir algo assim”.

Nos planos de Maria José está levar seu genro, que é cozinheiro. Assim que acabar de pagar o lote, que ela faz questão de lembrar que comprou na imobiliária e não ganhou nada da prefeitura, ela pretende construir, aos poucos sua casinha e seu comércio.

“Vou lá na prefeitura legalizar meu negócio e pagar INSS como microempreendedora”

Apesar de lembrar que ficará longe dos filhos e dos netinhos, Maria fica feliz em saber que ficará longe de suas noras, que segundo ela, "não prestam". Apenas uma, da igreja. Essa amasiou com seu filho, que trabalha na praça de alimentação do Shopping, mora com ele numa cidade na região metropolitana de BH e ajuda a criar seu enteado de 3 anos que foi abandonado pela mãe (outra nora que Maria deu graças por nunca mais ver).

“Moça boa sabe? Ela ta até olhando creche pra ele”.

Maria José conta muitas histórias sobre suas noras "periguetes” e sobre a filha que ainda não sabe se vai fazer festa de aniversário de seu filho mais velho, pois está com bebê pequeno, uma menina de três meses, e com muitas despesas para pagar.

Maria tem o sofrimento e o cansaço estampado na cara, como quem começou a trabalhar cedo. E começou mesmo! Aos poucos ela lembra e conta sobre quando trabalhava, ainda jovem, em casa de família e, com orgulho, lembra que era a família do compositor Vinícius de Morais. Lembra que sua filha se chama Natália em homenagem à filha do músico. E lembra também que ninguém acredita nessa história.

Ah! Maria José. Natural de Minas Novas, no Alto Jequitinhonha. Por lá estão seus familiares, tios e tias morando em sítios grandes e aconchegantes, onde gosta de nadar nos rios e garimpar. Viaja para lá a cada quatro anos e esse ano faria exatamente quatro, mas não poderá viajar antes de terminar a obra na sua nova casinha.

“Ah! Eu gosto de viajar com dinheiro pra comprar queijo, compota de doce. Tem muitas coisas gostosas lá. Ai não dá pra ir sempre né? Por isso, quando eu vou, meus tios até brigam pra saber em casa de quem eu vou ficar”.


Com os dramas de sua vida, Maria José segue em frente, com toda sua humildade, projetando na nova casinha a esperança de uma vida nova. Uma vida em que não precisará subir morro e poderá seguir a recomendação da médica sobre sua hérnia de disco. Uma vida onde não haverá a violência da favela nem o stress do patrão.

Uma vida melhor.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

10 coisas sobre ser um graduado desempregado

É pessoal, 2015 foi um ano em que várias empresas resolveram cortar gastos diante do alarde de uma crise que se instalou no Brasil. O fato é que, com esses cortes no orçamento, milhares de trabalhadores ficaram desempregados. As filas de pessoas em busca de vagas contornam as ruas e passar por uma seleção fica cada vez mais complicado.


Estar desempregado significa ver as contas baterem na porta, ver seu nome indo para o SPC/Serasa e ainda ouvir críticas das mais variadas, aliás, é só querer que você arruma emprego, certo? Essa pressão aumenta mais se você tiver uma graduação, afinal, quem se formou tem obrigação de estar empregado pois estudou para isso, não é mesmo?


Mas sua vida é mais ou menos assim:


1. Logo no primeiro dia, bate aquele desespero: Ferrou, estou desempregado, e agora? Durante a primeira semana é hora de relaxar, fazer o acerto ou ver se tem seguro desemprego para receber.




2. Da segunda até a terceira ou quarta semana, fica tranquilo, gastando o dinheiro que resta. Faz de conta que está de férias, dorme tarde, acorda tarde, come besteiras, fica ativo nas redes sociais, põe as séries em dia e, aos poucos,  atualiza o currículo e envia para o e-mail do RH das empresas de sua área de atuação. Afinal ninguém espera ficar desempregado por muito tempo, então fica de boa.




3. No segundo mês, percebe que, após não receber telefonema algum sobre os e-mails, resolve ir pessoalmente, com o currículo em mãos. Veste sua melhor roupa, arruma cabelo (maquiagem) e se prepara para possíveis conversas com os diretores. Chegando às empresas, a resposta quase sempre se repete: “Não temos vagas no momento, mas pode deixar seu currículo conosco. Queria pedir para enviar por e-mail também pra gente colocar no nosso banco de dados”. Sim, o currículo impresso quase nunca é necessário. Mas você sente que foi bom ir pessoalmente ao local e dar sorte de conseguir conversar com alguém da direção ou do RH, pois, na maioria das vezes, você entregou seu currículo para a recepcionista que disse: “vou enviar para o setor responsável, ai a gente entra em contato, tá?”




4. Depois de chegar em casa com bolhas no pé, de tanto andar de empresa em empresa, é hora de enviar por e-mail o mesmo currículo que acabou de entregar impresso.




5. No terceiro mês, seu celular passa a ser um complemento do corpo. Qualquer ligação pode ser para uma entrevista, então não pode largá-lo, nem mesmo para ir ao banheiro ou tomar banho. Você tem o aplicativo de e-mail no smartphone e qualquer alerta sonoro de novo e-mail é motivo para correr e pegar o celular e, na maioria das vezes, é simplesmente uma atualização de Twitter, Facebook, ou mala-direta de alguma empresa. Muitas vezes, você recebe e-mail dos sites de emprego (sim, a essa altura, você já fez cadastro em todos possíveis) lembrando que você pode ativar a Conta Plus por apenas 19,90 mensais. Nesse momento você se pergunta: como pagar tantas contas plus nesses sites se estou desempregado, vou tirar dinheiro de onde?




6. Você repete quase a mesma pergunta quando assiste a um especialista na área dizer: “é muito importante combater o desemprego fazendo cursos de especialização na área para fortalecer o currículo” (Bom, se ele me emprestar a grana para pagar uma pós, eu faço).




7. Ao mesmo tempo, você precisa dar explicações para as tias curiosas, os amigos empregados e até para o vizinho sobre o porquê de possuir uma graduação e não estar trabalhando. “Já foi no Sine?” (Já!). “Tem um site chamado vagas.com, ja viu?” (Me inscrevi mês passado). “Você tem certeza que tentou todas as empresas possíveis?” (Tá duvidando do meu esforço?). “Se você ficar só em casa, o emprego vai bater na porta não, ta?” (Quem disse isso?).




8. Já há quase quatro meses desempregado, passando por entrevistas ou não, você resolve procurar emprego fora da área para fazer o tal curso de especialização que o especialista disse na TV. Já com uma experiência em distribuir currículo, faz uma adaptação nele (a milésima, afinal para cada cargo, você coloca um objetivo diferente) e sai distribuindo, tipo carteiro, em empresas variadas. Mas não, você passou a vida fazendo estágios na própria área e não tem experiência suficiente para ser auxiliar de escritório, vendedor, recepcionista, promotor, ascensorista… e a todo momento repete para si mesmo: “Não, eu tenho uma graduação, não posso ser atendente de lanchonete nem balconista” (cargos que sempre têm vagas).



9. Ai, alguém te dá a brilhante ideia de prestar concurso. Você vai lá, todo feliz e animado com o possível salário e bonificações, faz a inscrição (que sempre beira os 100 reais e você pega emprestado com alguém) e resolve estudar em casa. Ai, após pegar o gabarito, percebe que errou mais questões do que deveria e lembra que era melhor ter pago um cursinho (com que dinheiro mesmo?).



10. No fim, você espera por um milagre enquanto faz freelas ou trabalhos manuais quando se tem alguma criatividade. E ninguém, absolutamente ninguém, te diz realmente o que fazer para conseguir emprego na sua área, afinal, se alguns de seus amigos estão trabalhando porque conseguiram uma indicação, os outros estão procurando emprego também.