quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Resenha/Crítica Filme O Pequeno Príncipe

Ficha técnica
Título: O Pequeno Príncipe
Ano: 2015 / Duração: 1h40min
Diretor: Mark Osborne
Gênero: Animação

"O problema não é crescer, é esquecer". A frase vem do fascinante livro de Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe. Talvez, na contramão de todos aqueles livros de contos de fadas e super-heróis, O Pequeno Príncipe é uma das mais democráticas obras da literatura infantil, que interessa tanto a meninos quanto a meninas, sem distinções. É também o livro que todas as crianças, acredito eu, deveriam ler. Ele fala sobre a imaginação e coisas da vida, que levamos conosco até tornar-mos adultos. Aliás, a frase no início do parágrafo se refere à imaginação, crescer e esquecer significa que deixamos de imaginar e que não conseguimos mais enxergar que o chapéu, na verdade, era uma cobra que havia acabado de engolir um animal inteiro.

Eu havia acabado de reler esse clássico quando soube da produção de um filme. O trailler era fascinante assim como a história. Tratei logo de aguardar seu lançamento no Brasil.

Hoje, cheia de expectativas, fui assisti-lo. Assentei-me na sala 3D e mergulhei na história, que aos poucos ia sendo narrada com lealdade ao livro. Paralelamente a história da menina, filha de uma mulher que, assim como todos os adultos, pensava apenas em seu trabalho e no futuro nerd da filha.
Olha eu aí antes da sessão!

É comovente a história da menina, que vive apenas com a mãe e tem um pai que desapareceu no mundo e lhe manda, todo ano, em seu aniversário, uma daquelas miniaturas de cidade que ficam em redomas de vidro e nevam quando balançadas. Ela não tinha amigos, até conhecer o velho aviador que um dia havia conhecido um Pequeno Príncipe, cuja história resolveu registrar no papel com textos e gravuras. 

O Pequeno Príncipe é um livro relativamente pequeno, e logo a história já tinha sido completamente contada à menina. Para completar uma hora e quarenta minutos, era necessário preencher o tempo com algo, ai entrou a criatividade do diretor. E foi ai que a história deixou de ser atrativa para os tantos que leram o livro e passou a interessar mais às crianças. Apesar da mãe da menina preencher o espaço reservado aos vilões, afinal todo filme tem um, era preciso um mais maldoso. Ele aparece quando a menina resolve ir em busca do Pequeno Príncipe após o velho adoecer. No caso, este vilão é o contador de estrelas, que roubou todas para iluminar uma cidade/planeta, e é nesse lugar que ela encontra o príncipe.

Nesse momento, imaginei se tratar de um sonho, imaginei que viria à tona toda a história da imaginação. Mas não parecia sonho. Eu preferia que fosse. A magia do livro é ficar imaginando o que acontece depois que o livro acaba. É ficar pensando se o Pequeno Príncipe conseguiu voltar ao seu asteroide ou se a rosa ainda o aguardava viva. Essa magia da imaginação é quebrada quando o diretor do filme resolve contar o que vem depois do fim.

Contar o que acontece depois do fim do livro é como quebrar a imaginação. Imagine só se resolvem contar que Capitu traiu mesmo Bentinho, o Dom Casmurro. Machado de Assis foi genial em deixar a dúvida e é ela que nos faz lembrar com satisfação sobre seu livro. O mesmo acontece com o Pequeno Príncipe.

O filme é lindo/bom/comovente até chegar nos últimos 30 minutos de reprodução. Depois ele cai no mesmo enredo como todos os outros filmes infantis que necessitam de aventura, clímax (em que a personagem principal passa por um momento de tensão) e vilão (que sempre perde no final).


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