Título: O Desatino da Rapaziada
Autor: Humberto Werneck
Ano: 1992 (1ª edição), 2012 (2ª edição)
Editora: Companhia das Letras
Desajuizados mesmo, com muito orgulho
Começando por Carlos Drummond de Andrade, rapaz magro de óculos, adolescente, no auge de seus dezoito anos, infiltrado no jornal Diário de Minas, no ano de 1921, na Rua da Bahia, em Belo Horizonte, o Desatino conta, com pequenos detalhes, a história de sucessivas criações de vários outros diários e semanais produzidos por grandes gênios, pessoas em que a criatividade aflorava e dali saía as obras primas da literatura e do jornalismo.
Como se fosse regra, estes semanais e diários não tinham muito tempo de vida, porém, sua originalidade bastava para, com poucos meses, se tronarem inesquecíveis aos olhos do autor do Desatino. Também como se fosse regra, seus criadores, em sua maioria, partiam de Minas para São Paulo e Rio de Janeiro, abandonando o estado para se aventurarem em outras maluquices. Maluquices pois, como o título do livro já diz, desatinos, falta de juízo, escritores loucos que viravam a noite conversando, bebendo e fazendo estripulias, assim como Drummond, que escalava o viaduto Santa Tereza em tempo de cair, e no dia seguinte estavam a escrever suas ideias em seus diários e semanais como se nada tivesse acontecido.
Werneck mostra sua nostalgia ao falar desses jornais, contando sobre o ambiente da redação, as conversas de bar que viravam crônicas, edifícios que inspiravam histórias, a paixão dos escritores em montar algo que fosse interessante aos leitores, ou talvez nem se importavam, o importante era o prazer de escrever. Prazer em criticar, noticiar, criar, contar histórias, o prazer de montar os jornais, mostrar sua criatividade e sua capacidade de prender a atenção.
O Desatino chama a atenção para uma época de grandes criações, época em que escrever era uma arte e essa arte começava ainda na juventude, os grandes escritores nasciam com o dom, começavam a escrever já com catorze ou quinze anos e não paravam mais.
Trata-se de um livro que provoca em quem nasceu nos dias de hoje, um sentimento de saudades de um tempo em que nunca viveu.
Leia um trecho de O Desatino da Rapaziada em: http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13432.pdf

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