quarta-feira, 11 de março de 2015

A pelada sob um ponto de vista feminino

Esta semana fui acompanhar de perto o que os homens chamam carinhosamente de "pelada". De onde esse termo surgiu eu não sei, mas imagino ser devido ao aspecto da bola, que de tanto ser usada vai soltando as escamas e fica sem o contorno, ou seja, pelada.
No universo masculino, jogar bola com os amigos (ou com pessoas que às vezes nem conhece) é tarefa que não se pode faltar. Jogar bola está para o homem, assim como a missa está para o coroinha, é sagrado.

E não tem tempo ruim. Pode ser em quadra aberta, coberta, grama sintética ou futsal. A pelada que fui assistir, em quadra de futebol society, quase não saiu por falta gente para formar os times (5 em cada). Mas não foi problema, o amigo do amigo entrou. O garoto que trabalha na quadra entrou também. Estavam sem chuteira? Isso é o de menos, jogar descalço, às vezes, não faz mal. Formaram-se os times. Sem camisa contra os de camisa e começa a partida.


Imagem da Internet

"Mas meu joelho tá bichado!"
"Tem problema não, você fica no gol!"

Enquanto isso, o outro time trocava as posições de tempos em tempos, para que todos pudessem passar pela tarefa de goleiro.

Aliás, goleiro é algo raro na pelada, tem que ter vocação. Ninguém quer ser goleiro. E quem é, tem todo tipo de regalia. Há quem não cobre as despesas da quadra (que geralmente é dividida entres os peladeiros) para quem se dispor a ser somente goleiro. Ou até mesmo pagar a gasolina ou a condução.

Na pelada, todos querem mostrar suas habilidades, mesmo que não as tenha. Fora do gol, o peladeiro pode driblar, chapelar, fazer aquele lançamento ou mesmo um belo de um golaço. Falando nisso, eita pessoal que gosta de supervalorizar as jogadas! 

Numa pelada, fora o goleiro, não existe posição definida. Não há lateral, volante, meia ou atacante. Todos correm em várias direções. Não tem esquema tático. Porém, há quem queira assumir uma posição e dizer "sou o artilheiro" ou um simples toque na bola antes de alguém chutar para o gol vira "fiz uma bela assistência".

É normal ouvir "sou bom", "sou foda", "é assim que eu jogo no meu X-Box", "Estilo CR7", "Aqui é Messi meu filho".

Ninguém assume que joga mal mas, no fim, isso é o que menos importa.

No mundo feminino não há nada parecido, nem de longe!

Na pelada o homem joga com amigos, conhecidos, parentes... Basta anunciar no Facebook que tem vaga na pelada que chove gente! Além disso marcar e chamar pessoas é muito fácil: bastou dizer "tem peladinha sexta, bora? Dez reais pra cada, quadra coberta de grama sintética" e pronto! O cara combina com gente que nem conhece!

Afinal, não importa cor, idade ou raça, embora as zoações se transformem em quase um Bullying, todos querem se divertir e partir pra resenha depois. Só não vale brigar.

Paz e amor é o que importa e os esquentadinhos que danem!

E foi assim que entendi porque o futebol é a paixão do brasileiro.

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