terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Vamos falar de feminismo?

O assunto mais em pauta desde a última prova do ENEM, no fim do ano passado, quando o tema da redação foi "Violência contra mulher", é o Feminismo. Até então, falar de feminismo anda causando furor nas redes sociais.

Surgiram os adeptos do "Stop the mimimi", "Não aceito ser estuprada", "Meu corpo minhas regras" e tantos outros. Discussões intermináveis sobre o tamanho do short de uma uma mulher, ou violência doméstica, ou críticas sobre ativistas que deixam os seios à mostra, ou até mesmo mulheres que amamentam em público, varam a madrugada, muitas vezes com agressões verbais de quem defende ou é contra o movimento.

Daí, resolvi pesquisar e vi que a discussão é mais inteligente que as aspas citadas acima. Em vários textos disponíveis na internet em sites educacionais, encontrei 4 vertentes para o feminismo.

Sim, feminismo não é um movimento só. Vejamos:

Quando o feminismo considera as pessoas autônomas, com igualdade e racionalidade. Luta por direitos iguais a ambos os sexos e admite homens feministas. Podemos chamar de Feminismo Liberal.

Já quando o movimento considera a igualdade na forma da lei insuficiente e considera as diferenças em ambos os sexos, chamamos de Feminismo da Diferença ou Cultural. Neste caso, a luta é por respeito às diferenças.

O mais polêmico e inovador ao mesmo tempo é o Feminismo Radical, aquele que abriu nossos olhos sobre o fato das leis serem criadas por homens (brancos e ricos) e o responsável por implantação de leis sobre assédio sexual e agressão contra mulheres. Entretanto, este grupo é considerado conservador, pois abomina a prostituição e pornografia, e trata a prostituta como mulher ignorante, vítima da sociedade e que não responde por si.

Por fim, o Feminismo Pós-Moderno abrange outros movimentos e causas de igualdade de gêneros, classes, raças... O movimento questiona a definição do conceito MULHER como se fosse o contrário de homem, pois acredita na inclusão de transexuais. Há discussão sobre papéis relacionados aos gêneros. E há questionamentos sobre leis que incorporam ditos religiosos num Estado que deveria ser laico, sendo, portando, uma vertente a favor do casamento gay e outras coisas.

Diante disso percebi que a discussão do feminismo vai muito além da decisão de depilar ou não as axilas.

Conclui, em pouco tempo, que o feminismo questiona padrões, estereótipos, explorações e tudo aquilo que coloca homem x mulher como num sistema binário. No fundo o feminismo, em geral, parece pregar a igualdade de direito com respeito às diferenças inerentes a vontade de cada gênero. Por exemplo: A mulher, que tem útero, engravida. E nem por isso deve ganhar menos ou ser rejeitada num emprego. Ao mesmo tempo essa mulher deve ter o direito de cuidar de seu filho e ter amparo do Estado.

Quando a diferença é entendida e o direito é preservado, temos justiça!


EM TEMPO:
Estamos num momento em que tudo deve ser compartilhado ou muito criticado, muitas vezes duramente. Somos pressionados a dizer se somos feministas ou machistas, como se fossem extremos e fôssemos obrigados a escolher. Como uma briga infantil de "bolacha x biscoito", "esquerda x direita", "Kit Kat x Bis Extra". Só que não.

Não vou concordar em dizer com todas as letras "SOU FEMINISTA". Afinal, não sei se sou! Não sei se me encaixo nas vertentes. Só sei que sou mulher, sei dos meus direitos, limitações (sim, todos nós temos limites), das minhas lutas e não preciso me encaixar ao movimento. Aliás, são temas para postagens futuras: o SER MULHER, independentemente do Feminismo; e o porquê de sempre sermos chamados a nos posicionar, mesmo quando nossa opinião ainda não está formada.

Então, se me perguntarem se sou feminista, digo que não sou! E machista? Também não.

SOU MULHER!

Leia mais sobre o feminismo em: http://www.revistaforum.com.br/2012/11/08/feminismos-neofeminismo-e-a-luta-pelos-direitos-das-mulheres/