segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ensaio sobre a traição

Aqui está mais um texto feito como trabalho de faculdade. O tema era livre e o escolhi após escutar um homem brigar com a namorada pelo telefone.

Um golpe certeiro


Traição: ato que mexe com o inconsciente do ser humano. Ninguém é o mesmo após passar por uma traição. Ela trás sentimentos que corroem e que matam aos poucos, todos os dias. A pessoa traída se despedaça aos pouquinhos.

O livro de Machado de Assis, Dom Casmurro, trata do assunto e mostra que Bentinho nunca mais foi o mesmo após imaginar que pudesse ter sido traído por Capitu. As semelhanças de seu filho com seu melhor amigo o tornou um ser desconfiado, um ser triste e pensativo. O protagonista pensa, inclusive, em suicidar ao se dar por convencido da traição da mulher, que jamais fora comprovada.
Seja do amásio, seja do irmão ou do amigo. A traição é um tiro certeiro no coração da confiança. Um ser que perde a confiança remói o ódio, a raiva, a vida perde parte do sentido.


Capa do livro Dom Casmurro

A traição é algo tão avassalador, que Dom Casmurro enlouqueceu somente em pensar. Todos os dias alguém enlouquece, perde a razão. Meu Deus! Ser traído é como perder um braço, uma perna, é perder um pedaço de nós, é ficar sem chão, é não ter um dos pilares que sustentam uma relação. É ser assombrado todas as noites por ter sido enganado.

O tema é retratado também na obra Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, adaptada para o folhetim da Rede Globo, Gabriela. O ser traído em questão é um personagem chamado Coronel Jesuíno, e a traidora é sua esposa. No romance, Jesuíno costuma frequentar uma casa de prostitutas, mas esse fato não é considerado traição pela mentalidade dos personagens da história. Homem machista, autoritário, faz o telespectador odiá-lo. Mas, por um momento, sente-se pena do sujeito, ao vê-lo descobrir a traição. Sua expressão de decepção e raiva eleva o tom piedade, o telespectador se identifica. Jesuíno assassina a esposa, com o argumento de lavar a honra, e nada lhe acontece.


José Wilker interpretou Coronel Jesuíno na trama das 11h
Foto: Divulgação/Rede Globo


Naturalmente, assassinato por motivo passional é crime. Mas é o amor derramado em gotas de sangue. Sai nos jornais, é manchete, é capa. Homens e mulheres traídos matam seus amásios quando sentem o gosto amargo do fel. O amor se torna ódio.

Dom Casmurro preferiu se isolar, se recolher à sua mente. Nada fez com Capitu, mas conviveu até seus últimos dias sem a certeza de ter sido traído. Mas com a convicção de que seu filho não era seu. Ele não chegou ao extremo do ódio, entretanto sua mente nunca mais repousou.

Imagino depositar toda confiança num ser, contar-lhe segredos, e depois, sofrer um golpe certeiro nas costas como se a traição fosse uma foice, que te fere e deixa cicatrizes. Ver os segredos expostos, ver o amor virar deboche, a confidência se tornar pública. Ainda é dúvida se enlouqueço como Dom Casmurro, ou cometo um crime e lavo a alma como Jesuíno. De toda forma, a inocência não mais existe após a descoberta de uma traição.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O que você sabe sobre o universo gay?

A gente pensa que sabe de tudo, não é mesmo? Quando temos familiaridade, falamos como se dominássemos totalmente o assunto. Mas nem sempre isso é a realidade. Na verdade, não sabemos da missa a metade.

Sempre tive amigos gays e sempre achei que era entendida de tudo que flutua no universo deles. Sempre defendi o direito à liberdade sexual e sempre critiquei atitudes preconceituosas e homofóbicas.

Entretanto, andei percebendo que, muitas vezes, tenho atitudes vindas de um preconceito meu. Preconceito não no sentido ruim da palavra, mas de pré-julgamento, pensamentos e posições que vêm sem conhecer a realidade em si.

Somos acostumados a usar xingamentos e incluir as palavras "bicha", "viado" ou "gay". Sem perceber que isso não é um xingamento. Aliás, muitos deles não fazem sentido ou ofendem alguma pessoa. Por exemplo: você sentiria vergonha se sua mãe fizesse programa e te sustentasse com dinheiro adquirido com sexo? E se a pessoa que você xingou, é mesmo um filho de uma puta? Então por que chamar uma pessoa de viado é xingamento, isso ofende aos gays, não à pessoa que você xinga. Mesmo assim, ainda usamos essas palavras.

Héteros que vivem em suas casinhas, numa família conservadora, nunca vão imaginar como é a vida daquele que escolheu viver ao lado de uma pessoa do mesmo sexo. A aceitação da família é uma escada imensa, cheia de degraus. Alguns dão sorte e têm pais compreensivos, outros têm pais que nasceram no século XX, mas com mentes medievais.
Nada que eu disser aqui vai resumir a vida de um homossexual. Só mesmo convivendo para entender coisas que fogem ao nosso pensamento.

Ainda somos cheios de preconceitos. Pensamos que todo homossexual é promíscuo, o que não é verdade. Pensamos que é fácil dizer a eles que, quando casal, adotem uma criança. E se um gay quiser ter um filho biológico, com seu olhar, com suas características, seus trejeitos? Imaginamos que todo gay quer usar roupa de mulher, e toda lésbica usa roupa de homem. Santa falta de informação! Pensamos que todo homossexual se depila, faz a sobrancelha e o sonho é fazer cirurgia de mudança de sexo. Nada disso.

Você sabia homens homossexuais gostam de futebol, se formam em engenharia, são mecânicos e pedreiros? Pode ir deixando seu estereótipo de lado. 

O gostar de uma pessoa do mesmo sexo é só uma escolha. As outras coisas vêm agregadas a outros desejos. Volto a dizer, nada que eu disse aqui vai resumir em detalhes a vida de um homossexual. 

Pense, repense. Quem conhece um pouco, pode achar esse texto preconceituoso. E é mesmo. Aqui está refletido muitos dos comentários que ouço por ai.

O que você sabe sobre o universo gay? Observe a sua volta, e vai perceber que você também não sabe de nada. Inocente!